| BONFIM ( DA ARTE SACRA ATÉ ARTE CULINÁRIA )
Por: Cema Luna
Participação na pesquisa de Daniel Leal Vieira (estudante)
Vamos começar tirando uma dúvida que acho que quase todos nós temos que é a escrita da palavra BONFIM ou BOMFIM. A imagem de Bom Jesus foi encontrada próxima a SETÚBAL , e a partir do achado, a necessidade de dar a ela um “BOM FIM”. Daí a explicação para a escrita do BOMFIM com (M) ficou o nome do Templo e da Imagem que tem um Bom Fim (a Igreja) e que por isso tornou-se SENHOR DO BOM JESUS DO BOM FIM DE SETÚBAL. Já o Bairro da Cidade do Salvador se escreve com (N) BONFIM.
A imagem do SENHOR DO BOMFIM é réplica em madeira com 1.06 de altura de outra do Cristo que é venerada em Setúbal (Portugal).
É uma das igrejas católica mais famosa da Cidade, fica em uma colina na Cidade Baixa no Bairro do Bonfim. Foi iniciada sua construção em 1745 e terminou em 1754. As imagens do NOSSO SENHOR DO BOMFIM E NOSSA SENHORA DA GUIA foram trazidas de Portugal pelo capitão da Marinha Portuguesa THEODÓSIO RODRIGUES DE FARIA no dia 18 de abril de 1745, num Domingo de Páscoa. Em 1862 o templo era iluminado por lampiões até que em junho de 1862 foi feita iluminação pública com lâmpadas de gás carbônico .
ARQUITETURA
Estilo neoclássico com fachada em rococó , típica colonial portuguesa, possui duas torres sineiras laterais. O interior da Igreja e suas obras de arte Forro da Nave , de Antonio Joaquim Franco Velasco , Painel de José Teófilo de Jesus, três altares da mesma simétrica distribuição da Matriz com Nave, coro , arco cruzeiro e a Capela Mor . Encontra-se na parede do lado do Evangelho (lado direito um púlpito). Possuem 4 sinos fundidos por MANOEL COTRIM famoso na época .

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ARTE E O MUSEU DE EX-VOTOS |
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Um dos ambientes mais interessantes do templo é o museu de EX-VOTOS criado em 11 de Janeiro de 1975, existem fotos, quadros, velas partes do corpo feito em cera onde os fiéis tinham enfermidades e doavam em agradecimento as graças alcançadas através do SENHOR DO BOMFIM . A fachada da basílica de azulejos brancos portugueses de 1873, 6 altares laterais e painéis de FRANCO VELASCO, azulejos de Lisboa com as cenas da vida de CRISTO e ricos adornos como: SACRÁRIO DE PRATA lavrada , lâmpadas e tocheiras de prata . Interior do templo neoclássico , com pinturas de homens e nuvens no teto, feitas entre 1818 e 1820 por FRANCO VELASCO, trinta e quatro quadros dos corredores da basílica são de JOSÉ TEÓFIO DE JESUS. Os painéis “ A MORTE DO JUSTO” e “A MORTE DO PECADOR” na entrada da catedral são atribuídas a BENTO RUFINO CAPINAM e seu filho TITO NICOLAU CAPINAM.
PRIMEIROS MILAGRES E ORIGEM DO CULTO
Em uma tempestade, o navio do Capitão Teodósio Rodrigues de Faria, ficou sem rumo ele pediu ao SENHOR DO BOMFIM que o salvasse. Em agradecimento a graça recebida mandou fazer uma IMAGEM DO SANTO CEDRO. Em 1824 durante uma revolução soldados tentaram três vezes fuzilar um dos líderes do movimento ANTÔNIO DE OLIVEIRA PLUMA a cem metros da Igreja do Bonfim e ao chamar pelo SANTO as balas não o atingiram. Uma mulher que acompanhou o transporte da imagem de BOM JESUS ,desde Salvador, ficou curada ao chegar a Iço.
Em 1923, nas comemorações da INDEPENDÊNCIA DA BAHIA, foi composto o HINO AO SENHOR DO BOMFIM , de autoria do Poeta ARTHUR DE SALES E JOÃO ANTONIO WANDERLEY.
ORIGEM DA LAVAGEM DA IGREJA DO SENHOR DO BOMFIM
Em 1804, foi criada pelo PAPA PIO VII a novena da Igreja ela celebra o intervalo entre a ascensão de CRISTO no Céu após a ressurreição e a descida do ESPÍRITO SANTO. Devotos assistem missas noturnas durante nove dias daí o nome novena são acompanhadas com músicas e orações. A novena culmina em uma missa festiva na manhã do último dia o segundo domingo depois da FESTA DE REIS.
ORIGEM DA LAVAGEM DA IGREJA
Quando os portugueses e escravos, juntos arrumavam a capela para a festa de encerramento da novena. Até 1950 a igreja era lavada também no interior, por motivo de segurança passou a ser simbólica acontece apenas do lado de fora na escadaria.
Vindo da África os escravos eram obrigados a ser católicos, para conservar sua crença e manter suas tradições associavam os Santos católicos a seus orixás do candomblé. Assim a festa foi vista por alguns em louvor a principal entidade do Candomblé: OXALÁ, orixá associado ao SENHOR DO BOMFIM. Todos os anos, em uma quinta-feira em janeiro baianas lavam as escadarias com um líquido feito nos terreiros de candomblé de um a sete dias antes da festa com perfume, flor de laranjeira e manjericão , macaça e água de levante. A mistura fica em uma sala para materialização da força do orixá até a festa, serve para ungir o povo dando proteção espiritual.
A festa é animada por músicas, carroças, cavaleiros, comidas e bebidas típicas vendidas nas barracas que ficam ao redor da igreja, fiéis, grupos folclóricos, turistas e pessoas que se vestem de branco a cor de oxalá. Mulheres vestidas de baianas com vasos de água perfumada e flores vem na frente do cortejo, que sai da porta da Igreja da Conceição da Praia em Salvador na Cidade Baixa a partir das dez horas após o final de uma missa segue o cortejo pelo comércio até a Sagrada Colina para cumprir um ritual de grande beleza.
ARTESANATO à Em 1809 o Tesoureiro da Devoção MANUEL ANTONIO DA SILVA SERVO, introduziu o uso das medidas (fitinhas) do BONFIM elas tem a medida padrão de 63cm entre as chagas do peito até a mão esquerda da Imagem do SENHOR DO BOMFIM segundo a crença do povo as fitinhas realizam desejos basta colocar no braço dar 3 nós e fazer o pedido, para conseguir o milagre precisa fé e deixar que a fita rompa naturalmente do braço. Amuletos, escapulários, objetos feitos em couro como: chinelos, bolsas, imagens de gesso de santos e orixás, chapéus e bolsas de palha, peças feitas com coco, berimbau, barracas e lojas que vendem incensos, folhas, olho de boi que segundo eles abrem nossos caminhos.
CULINÁRIA à Baianas com seus tabuleiros com cocadas, acarajé, vatapá, caruru, passarinha , salada e bolinhos de estudante.
Quiosques e restaurantes com comida baiana: caruru, sarapatel, maniçoba, vatapá, moqueca de peixe e camarão e outros frutos do mar, pirão com carne do sol, churrascos e outras guloseimas que encontramos em Salvador . Em particular recomendo o QUIOSQUE DA WANDIRA NA BAIXA DO BONFIM simples mas, com uma comida muito gostosa feita por uma típica baiana.
Procurei levar um dos pedaçinhos mais importante de Salvador, temperado com a fé e a simplicidade de um povo feito de alegria e esperança. Esperança naquele que é o GUARDA IMORTAL DA NOSSA CIDADE “SENHOR DO BOMFIM”. Sem fé como enfrentaríamos esse mundo. Não importa religião, crença só precisamos ir na paz, mesmo com bolsos vazios porém o coração repleto de felicidade e com muita saúde.
VIVA SALVADOR GLÓRIA AO SENHOR DO BOMFIM e que ELE nos abençoe.
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