Recuperação econômica no horizonte

Vitor Lopes

Alguns sinais de recuperação, ainda que tímidos, aparecem no horizonte. O Ministério do Trabalho divulgou hoje (16/04/09) dados que revelam o crescimento do emprego formal no Brasil. Setores importantes da indústria como o automobilístico, começam a melhorar seu desempenho, os investimentos previstos para o país, segundo levantamento do BNDES, foram quase todos mantidos e também há sinais de aquecimento do comércio e serviços.

No âmbito das medidas fiscais, o governo reduz a meta de superávit primário (receita menos despesas, sem contar os juros da dívida interna) de 3,8% para 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto – soma de todos bens e serviços finais produzido no país), o que significa mais dinheiro em suas mãos para injetar na economia (PAC, programa imobiliário, etc.).  Por outro lado, amplia a desoneração tributária para diversos segmentos da economia, estimulando a atividade econômica e preservando o emprego e a renda.

No elenco de medidas de fortalecimento do mercado interno, com a melhoria do poder de compra de camadas inferiores de renda da população, os programas sociais do tipo bolsa família continuam de vento em polpa e o salário mínimo permanece com ganhos reais - a Lei de Diretrizes Orçamentária prevê um salário mínimo de R$ 506,50 em 2010. No âmbito da política monetária, o Banco Central reduz a taxa básica de juros e o governo promove uma mudança no comando do BB, motivada pela necessidade de uma ação mais efetiva da instituição no contexto de crise.  O novo presidente  compromete-se, neste ambiente de incerteza e escassez de crédito, a ampliar as operações do banco e reduzir os spreads (diferença entre os juros da captação e do empréstimo). Um banco estatal deve perseguir o lucro, ser competitivo, mas num momento desses não deve se furtar a agir no sentido anticíclico, visando dar sinais positivos ao mercado.

As medidas são acertadas e tudo indica que a recuperação econômica chegará breve, a menos que a situação externa se agrave muito. Não é o que se vislumbra neste momento no horizonte. A China mostra sinais de recuperação, tendo o setor manufatureiro à frente, enquanto nos EUA estabiliza-se a venda de casas. No tocante ao lado financeiro, temos a recente decisão de capitalização do FMI por parte do G20 e o  anúncio por parte do Tesouro Americano de criação de fundos de investimento público-privado para absorver os ativos podres dos balanços dos bancos. São sinais positivos embora saibamos que a crise é profunda e que o mundo levará algum tempo para expurgá-la.

Desta forma, ainda não podemos dizer que estamos livres da crise, teremos um ano  difícil, mas se conseguirmos superar bem o momento mais crítico, o país sairá fortalecido e com maior respeitabilidade internacional. Além disso, talvez essa conjuntura adversa sirva também para afastar alguns dogmas da ortodoxia monetária e fiscal, abrindo espaço para uma implementação mais agressiva de políticas calcadas numa visão desenvolvimentista, que implicaria na prioridade ao crescimento econômico com melhoria dos indicadores sociais.

Certamente 2010 será um ano de retomada da atividade econômica e, em oposição ao pensamento desenvolvimentista, estarão de novo as teses do Banco Central de que a demanda agregada crescerá acima do PIB potencial (crescimento da oferta agregada, dados os fatores produtivos da economia), implicando em pressões inflacionárias, o que justificaria um novo aperto monetário.  Nossa experiência recente mostra que não obstante a necessidade de combate à inflação, o exagero das autoridades monetárias tem implicado num obstáculo ao crescimento. É preciso fortalecer a ideia  de que promover o  desenvolvimento econômico é preciso e que ele pode ser compatível com um nível de inflação relativamente baixa, e portanto tolerável.


  Economista, mestre em economia pela UFBA e professor da UNEB e UCSAL.


 
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