ENTREVISTA COM O CANTOR E COMPOSITOR Márcio MELLO
Por Ismael Santanna
Viva Salvador- Quais foram suas influências musicais?
Márcio – Eu ouvia rádio AM na época e ouvia Luiz Gonzaga,
Dorival Caymmi até que um dia ouvi Alegria Alegria de Caetano
e me despertou a pegada de guitarra dos Mutantes.
Viva Salvador- A cidade do AXÉ barra ou ajuda no seu trabalho?
Márcio – Não ajuda nem atrapalha. A Bahia tem uma pulsação forte,
mas o comercio da música baiana é que é estúpido e o que
vende na Bahia é a dança, a bunda mexendo.
Viva Salvador- Esse seu novo trabalho, SOLITÁRIO PUNK, passe pra
gente, o que você quer dizer?
Márcio – Eu me sinto só. Não sei se sou aceito na turma do pagode ou na
turma do pessoal que faz rock atualmente. A coisa de querer
ouvir uma musica diferente e não poder. Então eu sobrevivo só,
no meio de tanta gente.
Viva Salvador – A gente nota que você apesar da postura roqueiro inquieto,
você tem musica gravada por Daniela Mercury, Emanuele
Araujo, etc. Márcio Mello é uma metamorfose ambulante?
Márcio – Eu sou uma metamorfose total. Quanto às gravações foram feitas por pessoas inquestionáveis da musica. Daniela é a rainha da música da Bahia e o meu rock “n” roll é baiano, mas eu também fui gravado pelo grupo Malícia de São Paulo que é um grupo de pagode.
Viva Salvador- Depois de Raul Seixas, Camisa de Vênus e da Banda Gonorréia, que quase chegou lá nos anos oitenta , por que Salvador não
consegue se identificar e aceitar o Rock “n” Roll ?
Márcio – Eu questiono isso o tempo inteiro, falando de atitude rock, o jovem baiano é extremamente vândalo e rebelde, mas um tambor custa
quarenta e poucos reais e uma guitarra custa quatro mil. E também o apelo
do tambor vindo dos guetos é muito forte. A música AXÉ é cultura de destruição. Poucos ganham com isso.
Viva Salvador- Os pagodeiros baianos adotaram o corte de cabelo "moicano", que sempre pertenceu aos punks e se originou na Inglaterra na
década de setenta e tem um apelo contestador. Provalvelmente
os reis da quebradeira não tem noção de nada e usam mesmo
assim, então é por isso que você, Márcio, inverteu o seu "Moicano" ou como você chamaria essa sua nova vertente capilar?
Márcio – A gente não sabe porque eles usam. Quanto ao meu corte de cabelo
é um protesto e eu estou mais pro lance do palhaço. O palhaço brinca
com a criança mas também come a vovó.
Viva Salvador – A Banda FANTASMÃO justificava o seu sucesso por causa
das letras fortes do dia a dia real e de uma pegada rock, você
concorda com isso Márcio?
Márcio – Claro que não. Aquilo ali tá mais pro HIP HOP, pegada de guitarra
não existe e rock “n” roll não passa por ali.
Viva Salvador – Quais são os novos projetos para o futuro?
Márcio - A postura de assumir o meu disco SOLITÁRIO PUNK, pois esse disco
é um marco na minha carreira e eu quero escrever um livro, estou me
identificando com a idéia.
Essa entrevista aconteceu no estúdio de Márcio no Bairro
do Rio Vermelho.